Hoje fui passear com a família por um grande centro comercial na minha cidade!

 

Como é inevitável que se apaixonem por ir ver vestuário, dei por mim, passeando lentamente procurando artigos notáveis por entre as montras.

 

Enquanto ficavam na Kyds store, vi o vigilante jovem da loja dos perfumes ao lado ajudando a arranjar os expositores e senti a riqueza e diversidade dos seus aromas.

 

A primeira em que me detive, foi na montra da estilista portuguesa ANA SOUSA.

Fiquei fascinado com a sofisticação das peças que as manequins expunham. Não só os tecidos eram chiquérrimos, como a inovação e consistência do design e o cuidado extremo com os pormenores. O forro da jaqueta, mostrado pela dobra arregaçada da manga, criava como que uma pulseira larga entre as mangas e as luvas longas, de tecido fino estampado em padrão pequeno de manchas de jaguar, com as pontas dos dedos livres.

Detive-me demoradamente a descobrir a qualidade da execução da jaqueta, de tecido clássico, com uma profusão de costuras que marcavam um desenho muito cuidado de imensos pormenores, e com uma lapela deslumbrante, em forma de ferradura a cair na cintura, ostentando na orla lisa, o pontilhado largo de nó fino que era o elemento de primeiro destaque, logo à primeira vista.

A combinação era esmerada, entre o cinza antracite de base, o forro de bordeaux velho com rosas pequenas coloridas com harmonias de verde seco e rosas, estampadas, e em meio tom, complementados pela bolsa de mão de pele muito brilhante quais lantejoulas, de uma cor discreta do graná para o rosa velho, em meio tom leitoso, do mesmo modo que os sapatos de tacão alto com o peito cheio até ao limite da sola até ao solo. Ainda voltaria lá outra vez para apreciar a mestria. Na minha mente bailava a idéia de que era uma das boas estilistas portuguesas. Antes nunca me tinha chamado a atenção.

 

Adiante, a montra larga da Berska, com uma estonteante complexidade de peças que compunham os manequins, lembrava-me como deveria ser dispendioso comprar tantas peças para poder sair da loja, combinando de acordo com a sugestão da marca.

Entrei lá, seguindo os meus, e, vi ao fundo da loja, um grupo muito activo de clientes, como os peixinhos num aquário agrupados na hora da refeição, que ávidamente escolhiam peças de dois grupos de cabides, o dos 5 Euros e o dos 1,99Euros. Eram túnicas curtas de malha de cores lisas, quase todas de modelos diferentes que a loja colocou estratégicamente naquele local na esperança de vender até lá ou de lá à saída o outro vestuário.

 

Contrastando com a C&A que tinha visitado antes e a H&M, ambas com muita diversidade, mas refletindo uma certa decadência(multiplicidade de gangas e peças quase vulgares depois de tiradas das luzes dos holofotes intensos), as lojas de marca de estilo ou de autor apresentavam uma riqueza fina, fácil de identificar e até de desejar, não fosse a suspeição de preços sempre mais elevados, do que os que usualmente procuramos.

 

Fui deambular um pouco mais. Á saída, uma loja de esquina com a menção às grandes cidades onde também está implantada: Londres, Paris, Bruxelas, Nova York, e mais duas talvez. A decoração era soberba e pensei se conseguiriam ganhar o suficiente para pagar as elevadas rendas e encargos, pois não cheguei a compreender o que é que vendiam afinal.

 

Logo a seguir, voltei a ver e a rever a BLANCO. Estava na minha mente que era uma loja de boa roupa, sofisticada, mas o nome foi a primeira vez, porque quis saber qual era.

Apreciei aquele ambiente teatral que os tons da decoração com base preto sempre provocam, iluminados por candeeiros de parede que surgem luzentes, ou se adivinham após as reentrâncias das paredes e divisórias. Um pé direito de 7 a 8 metros divide a loja em dois pisos, com o balaustre das escadas em madeira bem envernizada a compor aquele ambiente acolhedor, sóbrio, masculino, feminino, clássico ou casual, depropostas inovadoras. Estava com saldos logo após a entrada e pensei por momentos que saldos numa loja daquelas com peças de 5 euros, só podiam ser dos chineses, mas actualmente é mesmo assim que fazem, só estranhei o facto de aquela loja não estar a chamar com aquela campanha o seu mercado de clientes alvo, parecendo-me até que corria o risco de os afastar, mas deve ser do desespero da crise.

 

Por entre todos os pensamentos e cogitações sobre a riqueza das decorações, da extrema qualidade e requinte de algumas roupas e do universo a que aquilo tudo mais uma vez me transportava, realçava-me a ideia de que seria bom se eu pudesse ter em minha casa um bocadinho de cada pedaço daquele luxo todo, lembrando-me dos designers e arquitectos tão talentosos que criavam aqueles ambientes de encantar.

 

Enquanto pensava sobre estas coisas veio à minha mente, como que uma revelação adicional, a seguinte instrução:

 

"As melhores ideias, todas vêm do céu, num contínuo fluxo que dão cor e vida a este mundo."

 

Após ponderar um pouco sobre este pensamento que se formava cada vez mais completo e nítido, busquei rápidamente um papel para o escrever da maneira mais simples, pois após compreender este príncipio logo em catadupa começou a correr o entendimento subsequente do alcance desta afirmação em toda as facetas do engenho humano que me iam surgindo, mesmo do expoente blackberry dos aparelhos de computação e comunicação móvel, que a tantos abrilhanta os dias e as mentes e os relacionamentos. etc., e o que nos dispusermos mais a reformular. Vem-me agora à mente a engenharia de pontes, ou outra qualquer.

Adaptar o mundo a esta perspectiva é meio caminho para concluir que embora distraídos, vivemos num pleno milagre e numa determinada glória, espelho limitado de uma outra muitíssimo maior a que não podemos aceder completamente nem por enquanto entender.

 

Quantas vezes me questiono como será o céu, ou seja o paraíso!... E naquele momento, no meu íntimo, fiquei a saber, que se aqui é tão belo apreciar a excelência, ainda que no desempenho das imperfeições dos homens, no céu deve ser muito, mas muito mais belo, surgerindo-me a ideia de que me estou aludindo a um estado pleno de perfeição, gerido pelos mesmos princípios nobres que somos convidados a experimentar desenvolver aqui.

 

Compreendi que Deus preparou uma forma de recebermos o benefício das ideias boas que pessoas especializadas e experientes materializam, preenchendo-nos a vida com experiências de gozo, de alegria, diversidade, encanto, e nos fazem sorrir e desejar coisas bem próximas da felicidade.

 

Compreenderemos agora com facilidade que estas ideias estão ao nosso alcance no dia a dia nas nossas responsabilidades, na edificação das nossas famílias, dos nossos filhos, como pais, amigos etc..

 

Excepto que, para um mundo perfeito, precisamos de nos sentir livres e capazes de expulsar a maldade de nosso meio, de nós próprios, da nossa mente, das nossas mãos dos nossos olhares, das nossas palavras , da nossa boca, do nosso coração, de regular e dominar as nossas paixões, de resistir às angústias de se viver em tempos tão difíceis, e com os olhos fitos em algo muito maior aceitar a paz, ... e não terá fim o descobrir da necessidade urgente de reformatar o nosso eu, subjugando-o a um conhecimento prático muito maior do que nós próprios poderíamos supor.

 

Gosto da ideia de pessoas aperfeiçoadas. Cruzo-me com elas todos os dias. Mostram-me que é possível sobreviver nesta vida mantendo a dignidade e vivendo bons princípios. Mas só isso não basta, pois existem possibilidades mais excelentes se continuamente buscarmos o que é bom e estivermos intimamente atentos às lições gratuita e dócilmente dispensadas dos céus.

 

Posso compreender por isto, que, mais uma vez descobri, que Ele não nos deixou sós, enquanto vivemos aqui.

 

Vejam se estas coisas não são como maravilhosos POSTAIS DO CÉU?

 

Sinto-me como um guardador de pepitas mais valiosas que o ouro. Não como um garimpeiro, porque não tenho que escavar. Somente estar atento.

Imensas pepitas pejam os nossos caminhos, não importando por onde caminhamos. São como diamantes de contas cintilando como sorrisos à espera que reparemos nelas,... e as guardemos,   no coração.

 

 

bento

publicado por porta-estandarte às 22:04