Olhei do Portão para a rua no centro da cidade.

 

Uma jovem e uma avó de costas preparavam-se para atravessar a estrada.

 

Era uma avó aperfeiçoada, de cabelo grisalho bem arranjado e roupa clara clássica bem aprumada.

As duas condiziam muito bem. Pareciam companheiras. A imagem era clara e limpa. Toda a rua ficou com nova luz e elevação só porque estavam ali.

 

A avó com prudência e desenvoltura tomou a decisão de se conduzirem a atravessar naquele momento. Não tive tempo de tirar uma foto.

 

Queria tanto reter aquele momento. Só o pude reter na minha mente. Gostaria de torná-lo numa pintura, mas a minha mente não consegue reter aqueles imensos pormenores que tornavam aquelas duas personagens tão belas e distintas.

 

Sentiam-se os laços de ternura como muito naturais.

 

Por momentos tentei sentir o que aquela menina sentiria. Encheu-me a alma de alegria, viver aquele conforto de ter uma avó tão aperfeiçoada e bondosa em quem podia plenamente confiar. E vi que o mundo tinha mudado naquele momento para mim, por uns instantes.

 

Atravessaram a rua naturalmente e eu do lado de cá fiquei pensativo... Ninguém pode explicar tão bem aquele amor se não admitir que é um reflexo do Céu.

 

Encontrei num momento simples uma jóia de grande valor, uma forma de mum perfeito amor.

publicado por porta-estandarte às 04:06