Para sobreviver na Terra sempre sinto a necessidade de descobrir os "Postais do Céu", ou o reflexo do céu.

 

Sempre estou atento e sensivel a discernir esses reflexos de Deus. Não são tanto as coisas que vejo, mas mais aqueles sentimentos especiais sobre essas coisas, aqueles que vêm de dentro da alma, as coisas boas que se discernem, em mim, em ti, e fora de nós, na natureza em tudo o que nos envolve e nas experiências que vivemos. Quase diria que as coisas boas descobrem-se no silêncio do nosso íntimo, trazem paz e alento, trazem pedaços de contemplação e ponderação, doces, belos, agradáveis, alimento para a alma.

 

Estou agora em família, e há um cálido sentimento de bem-estar, de paz e conforto com salpicos de pequenas distrações.

 

Hoje apreciei com a especialista de análises clínicas como somos maravilhosos. Ela concordou, dizendo que somos uma obra impressionante, o nosso corpo, o seu funcionamento. Falávamos do embaraço desagradável de ter de entregar certas amostras e a perfeição de não nos incomodarmos com a sua produção, dentro de nós. Quis realçar como somos tão perfeitamente construídos, com toda a dignidade, sem cheiros, vivemos como se fôssemos perfeitos.

 

Ela, entusiasmada já, lembrou-se; e as crianças? lembrando-se da sua menina, explicou-me:

 

     - Hoje, levantei-me e sem dizer uma única palavra, a minha menina de 5 anos disse-me: mamã, tu "hoje" não estás bem! ao que respondeu admirada, porque me dizes isso? Então respondeu: porque vejo nos teus olhos.

 

Admirou-se muito por ter, tão pequenina, um discernimento tão amplo e limpído.

 

Guardei aquela lembrança que durante o dia vinha-me à mente, aquelas conversas boas, espontâneas, que raramente se falam. Com gratidão digo que encontrei mais um "Postal do Céu".

 

Na verdade, deveria corrigir, pois em vez de um Postal do Céu, deveria mais apropriadamente chamar-lhe mais um Postal do Céu que guardamos em nós, porque o céu, como aquele lugar de onde viemos aqui nascer, onde habita Deus, aquele que nos gerou, que é nosso Pai Eterno e Celeste, é extraordináriamente diferente, extraordinariamente glorioso, pleno de vigor, pleno de beleza, rectidão e virtudes. Não há palavras para descrever, porque é de uma Glória e Poder extraordináriamente diferentes da nossa experiência aqui. Aqui podemos descobrir e apreciar estes poucos relances que nos dão alento e força. Haverão dias melhores... certamente haverão dias melhores.

 

 

 

 

publicado por porta-estandarte às 22:45