POSTAIS DO CÉU

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Segunda-feira, 23 / 08 / 10

O Mais Bonito!

 

Num dos lugares onde vou, estão a finalizar um grande e importante equipamento de saúde pública, digno de relevo.

 

Já sei que foi construído com tudo o que há de melhor e mais actual. Dado o uso a que se destina, parece um edifício simples e discreto e até pouco atractivo, com revestimento de tons claros e neutros.

 

Em volta, em meio ao aparcamento, pequenas extensões de filas de terra, coberta com casca de árvore, como canteiros, pude ver a apreciar as plantas e árvores que escolheram. Tudo com rega automática e algumas manchas de erva nova verdinha, tudo a condizer, tudo simples e agradável.

 

Percorrendo a margem lateral da propriedade, a mesma ordem, plantas em fileiras, desta espécie e logo a seguir outras fiadas de outra espécie e jovens árvores que de nenhuma sei o nome, mas até gostaria de saber e de as compreender, assim como aos arbustros. Mas, lá, aonde muito pouca gente irá, encontrei algo que nunca tinha visto antes. Parecia como que um remate lá nos confins do jardim, como se tivesse expirado tanto jardim minuciosamente ordenado. Ali numa razoável extensão da propriedade estava algo lindo de morrer. Tocava o coração só de olhar. Não conseguia parar de apreciar e até me apetecia morar ou ficar envolvido num lugar assim, sem tempo, prolongando aquela alegria interior discreta e diria até, desconhecida, que me fazia sorrir naturalmente estarrecido.

Ao comentar o que vi alguém me disse: são flores da pradaria!

 

E eu pensei: pois, está certo, se estendesse aquele pequeno pedaço de terra pela extensão de uma pradaria, compreendo que estaria no paraíso, mas mesmo assim eu nunca tinha visto tal profusão e diversidade de flores em nenhuma pradaria, nem em nenhum dos filmes que tivesse visto.

 

Para mim era a minha primeira vez. Era uma profusão esparsada de flores de todos os tamanhos, de todas as cores, muitas pareciam dálias mas não o eram, eram de outra espécie, de nenhuma eu sabia o nome, eu diria que nunca as tinha visto antes, todas brotando de modo desordenado, umas entre as outras, numa terra sequíssima, como é próprio dos dias tão quentes e secos que se têm sentido, porque era assim que devia ser. Passeei pelo meio delas por entre os pequenos espaços onde podia colocar os pés. Mesmo algumas da mesma espécie mas com cores diferentes, muito bonitas, me deixavam admirado e comtemplativo.

 

Pensei logo na minha querida pequenina. Como seria bom se a pudesse levar a ter aquela experiência que eu estava a ter....levando-a aquele local... Ainda não desisti, mas, um dia decidi, embora com alguma relutância, que iria cortar umas poucas e levar-lhas.

 

Procurei os caules que tinham uma flor madura e uma nova e deixava a nova. Escolhi demoradamente quais as cinco eleitas e cortei-as uma a uma, com o caule mais longo que pude, para que pudessem sobreviver melhor numa jarra lá em casa. Era como levar um pedacinho daquela alegria comigo lá para casa e fazê-la irradiar não só no momento da surpresa mas depois, colocando-as num lugar bem visível.

 

Quando cheguei a casa todos se admiraram, porque também não conheciam aquelas flores, (não são como as que se comercializam apesar de parecerem bem robustas e resistentes), e as cores, as suas estruturas eram soberbas.

 

Contei-lhes que descobri que Deus também pensou na felicidade das joaninhas e de outros pequenos insectos. disse-lhes que após ter cortado aquelas flores, aquelas que tinham um intenso conjunto de pétalas como se fossem um pom-pom multicolorido, depois de as manusear, reparei que começaram a sair um pequeno insecto e duas joaninhas pequeninas, como que incomodados, pois abrigavam-se ali do intenso calor e também da noite, porque era de manhã bem cedo.

Como seriam felizes a morarem e abrigarem-se naquele lugar tão cheirosinho e tão alegre e colorido, bem ventilado e à sombra. E pensei para mim: O Pai do Céu até das joaninhas deseja a felicidade.

Após a surpresa, a imaginação da minha pequenina pode mostrar como era feliz para ela aquele acontecimento.

 

Ontem conheci o autor daquele projecto de jardinagem, e só depois me disse que era arquitecto paisagístico.

Eu perguntei-lhe: sabe qual o jardim que encontrei mais bonito? Ele pensava que era aquele em que estávamos a falar. Disse-lhe: è aquele que é menos cuidado, é o jardim das flores da pradaria. Com surpresa, refez o seu sorriso largo e com um brilho intenso no olhar falou que tinha decidido assim por também gostar muito.

 

Ele não as tinha feito, somente as tinha mandado semear, como parte das boas decisões que ali tinha tomado.

 

Digam lá se não é mais um Postal do Céu diante dos nossos olhos, aqui, na Terra.

 

Aquele jardim era O Mais Bonito!

publicado por porta-estandarte às 20:23
Sábado, 14 / 08 / 10

So Beautifull

Rosa Lobato Faria    -   Escritora e Actriz

 

 

Aos 77 anos, como é natural, aparecem-nos todas as mazelas. Insignificâncias: Uma dor aqui, uma dor ali, nas costas, na perna, na cabeça, uma pequena coisa na pele, na unha, no olho. Não ligo nenhuma. Porque a minha maior mazela é não acreditar que tenho 77 anos.

Eu bem me farto de dizer aos quatros ventos a minha idade para ver se interiorizo esse facto, mas, por dentro, estou na casa dos trinta, vá lá quarenta, e não passo daí.

Setenta e sete anos? Que loucura!

Tenho sempre tanta coisa para fazer, para saber, para ler, para escrever, tanto lugar para visitar, tanto museu para ver, e depois as mazelas - ai! - mas vou, porque tenho trinta anos e, evidentemente, tenho que ir.

Não tenho a noção de ser uma senhora velha. Digo Estava lá uma velhota..., ou Imaginem que uma velha... Estou a falar de pessoas provávelmente mais novas do que eu, mas não me enxergo. Até quando irá durar esta idade subjectiva que não me deixa envelhecer tranquilamente?

Só quando me oferecem o braço, (já caí na rua e parti a perna, mas nem assim...), quando me sentam no lugar de honra à mesa, quando me dão o assento da direita do automóvel, quando não me dirigem galanteios (que estranho!), acordo para a realidade: ai é verdade, tenho 77 anos, que maçada....

Últimamente, tive (ou tenho, ainda não percebi), cancro de mama. Como acho que Deus não me ia mandar esta doença só para me chatear, abri uma campanha de sensibilização (televisão incluída), para que as mulheres façam mamografias. Transformei a porcaria da doença numa coisa positiva.

Passei os trâmites habituais: operação, radioterapia, etc.. Tudo pacífico. Ainda por cima, o médico disse-me que era pouco provável que o cancro me matasse, porque, na minha idade, as células já não são o que eram... Ai sim?

Tenho 77 anos, que alegria!... .

 

Descartes, dizia no seu "discurso do método",  algo parecido com isto: se nenhum de nós é perfeito, de onde nos vêm esta noção de perfeição?

e por interrogativas semelhantes questionava de onde nos vêm o sentido de justiça, se ninguém é justo, ou de pureza, se ninguém é puro, ou de beleza, se ninguém é completamente belo? A sua conclusão era que, certamente de uma centelha divina que nos foi dado manter após o nosso nascimento aqui na Terra, remetendo para Deus a origem de toda a beatitude e virtude.

 

Eu diria: de onde nos vem esta Rosa Lobato Faria? e respondo com alegria: certamente que da centelha de Deus que ela muito bem sabe manter.

 

Ora vejamos... se não é um bom POSTAL DO CÉU!...

 

Faleceu, mas continua viva!

publicado por porta-estandarte às 23:28
Sexta-feira, 13 / 08 / 10

Diamantes Luzentes do Céu

Recentemente tive a oportunidade de viajar para o Canadá e pude apreciar a experiência

de viajar ininterruptamente durante sete horas e meia, pelos céus, acima das nuvens,

muito acima, tão acima que olhando pela escotilha para o céu podia ver a sua escuridão próxima.

 

Dizia o comandante:

 

Altitude de Cruzeiro: 10.600m   Velocidade Cruzeiro: 840 - 1040Km/h

 

Quando veio a noite, junto à escotilha, decidi olhar para cima e não para baixo.

 

Foi então que pude apreciar, olhando para cima, tantas estrelas como eu nunca tinha suposto.

 

Cachos de estrelas de diferentes tamanhos e distâncias, cintilantes como diamantes de várias cores,

e ainda aquelas que só conseguia ver a sua presença pela visão periférica dos meus olhos.

 

Que riqueza impressionante se apresentava diante de mim, tal pirata do espaço encontrando um tesouro inestimável

de algum ourives muito rico ou mercador de diamantes luzentes como luzes de um extraordinário candelabro suspenso

do meio da abóbada celeste para iluminar os homens na terra e ajudá-los a compreender e a lembrar a majestade,

poder e riqueza e domínio deslumbrante do grande Criador, justificando os sacrifícios pelas promessas quase incompreensíveis,

que não é possível a uma mente mortal compreender completamente neste estado limitado das glórias em que lhe foi designado viver, e da qual Platão pareceu querer chamar de caverna.

 

Nunca havia visto nada tão extraordinário e belo, nem tido um contacto tão directo e inesperado com tal realidade, já quase fora da atmosfera terrestre, e que da terra não se pode ver.

 

Que diversidade, que imensidão.

 

Que gratidão tão grande por poder compreender um pouco melhor a Deus!

publicado por porta-estandarte às 04:35
Sexta-feira, 13 / 08 / 10

Amor Perfeito

 

Olhei do Portão para a rua no centro da cidade.

 

Uma jovem e uma avó de costas preparavam-se para atravessar a estrada.

 

Era uma avó aperfeiçoada, de cabelo grisalho bem arranjado e roupa clara clássica bem aprumada.

As duas condiziam muito bem. Pareciam companheiras. A imagem era clara e limpa. Toda a rua ficou com nova luz e elevação só porque estavam ali.

 

A avó com prudência e desenvoltura tomou a decisão de se conduzirem a atravessar naquele momento. Não tive tempo de tirar uma foto.

 

Queria tanto reter aquele momento. Só o pude reter na minha mente. Gostaria de torná-lo numa pintura, mas a minha mente não consegue reter aqueles imensos pormenores que tornavam aquelas duas personagens tão belas e distintas.

 

Sentiam-se os laços de ternura como muito naturais.

 

Por momentos tentei sentir o que aquela menina sentiria. Encheu-me a alma de alegria, viver aquele conforto de ter uma avó tão aperfeiçoada e bondosa em quem podia plenamente confiar. E vi que o mundo tinha mudado naquele momento para mim, por uns instantes.

 

Atravessaram a rua naturalmente e eu do lado de cá fiquei pensativo... Ninguém pode explicar tão bem aquele amor se não admitir que é um reflexo do Céu.

 

Encontrei num momento simples uma jóia de grande valor, uma forma de mum perfeito amor.

publicado por porta-estandarte às 04:06

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